O suplente de vereador Antônio Lemes (PSD) afirmou nesta terça-feira (29) que sofreu pressão do vereador licenciado Jeferson Siqueira (PSD) por causa de sua posição na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá. Atualmente no exercício do mandato, Lemes declarou apoio à presidente Paula Calil (PL) e relatou um episódio de tensão com Jeferson após se recusar a acompanhar o grupo que apoia Ilde Taques (Podemos).
O episódio ocorre justamente quando Jeferson tenta retornar antecipadamente ao Legislativo. O vereador protocolou nesta segunda-feira (28) um pedido para interromper a licença de 120 dias e reassumir imediatamente o mandato, o que encerraria a permanência de Lemes na cadeira. A solicitação foi apresentada às vésperas da eleição da Mesa Diretora.
Segundo Lemes, desde que assumiu a vaga, ele sabia que Jeferson apoiava Ilde Taques, mas deixou claro que pretendia construir sua própria posição política durante o período em que estivesse no cargo.
“Ele falou sobre a preferência dele pelo Ilde Taques. Aí eu disse: vou articular com o prefeito, vou fazer um jogo aí para ver se ganho algumas pautas de melhoria para as comunidades, porque isso é a principal coisa que eu vim fazer aqui na Câmara”, declarou.
O suplente afirmou que algumas das reivindicações apresentadas ao prefeito Abilio Brunini (PL) foram atendidas e, a partir disso, passou a demonstrar tendência de votar em Paula Calil.
Pressão
A mudança de posicionamento provocou um impasse dentro do próprio PSD. Jeferson integra o grupo articulado em torno de Ilde e participou, na última sexta-feira (25), de um almoço com apoiadores do candidato. Lemes não esteve no encontro.
O suplente relatou que a tensão aumentou depois que comunicou que não participaria de uma fotografia nem do almoço organizado pelo grupo de Ilde. Segundo ele, Jeferson o chamou para conversar em seu gabinete e a discussão ficou mais acalorada.
“Quando eu disse que não ia tirar fotografia com eles ou para o almoço de ontem, o Jeferson não gostou dessa fala minha”, afirmou.
Lemes disse que Jeferson teria se aproximado dele durante a discussão e que outras pessoas precisaram intervir para que a conversa prosseguisse.
Questionado se havia sido ameaçado, porém, o suplente negou.
“De forma alguma. O Jeferson não ameaçou”, afirmou.
Apesar disso, Lemes classificou a abordagem como uma forma de pressão. Segundo o suplente, Jeferson teria dito que, se ele realmente o conhecesse, não estaria fazendo um “desvio de voto”, porque, na avaliação do vereador licenciado, o voto pertenceria a ele.
“Eu acho que é uma forma de fazer uma pressão”, declarou.
Ao ser questionado se teme pela própria segurança após o episódio, Lemes afirmou que considera necessário adotar cautela.
“Hoje, no mundo que nós vivemos, não tem como você não se preocupar em resguardar a nossa situação, a nossa integridade física”, afirmou.

