A base do prefeito Abilio Brunini (PL) recuou e não conseguiu levar à votação nesta terça-feira (29) o projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Câmara de Cuiabá e poderia abrir caminho para a reeleição da presidente da Casa, Paula Calil (PL). A proposta acabou retirada da pauta diante da falta de votos para garantir sua aprovação.
A mudança ganhou força depois que a Justiça derrubou a exigência de quórum de dois terços dos vereadores, reduzindo de 18 para 14 o número de votos necessários para alterações no Regimento. Mesmo com a decisão, o grupo governista não conseguiu reunir apoio suficiente para aprovar a matéria.
A presidente Paula Calil optou por não incluir o texto na ordem do dia da sessão desta terça-feira. A retirada ocorre uma semana antes da eleição da Mesa Diretora, marcada para 6 de outubro, e deixa em aberto a composição da chapa apoiada pelo grupo do prefeito.
Entre os nomes cotados para encabeçar uma eventual chapa governista estão Kássio Coelho (Podemos), Wilson Kero Kero (PMB), Eduardo Magalhães (Republicanos) e Dilemário Alencar (União).
Disputa judicial
O impasse em torno do Regimento Interno se arrasta há meses. O Projeto de Resolução nº 31.173/2026, de autoria do vereador Marcus Brito Júnior (PV), prevê a possibilidade de recondução dos integrantes da Mesa Diretora aos mesmos cargos durante a atual legislatura.
A proposta chegou a ter a tramitação suspensa por decisão judicial. Paralelamente, Abilio Brunini ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra dispositivos do Regimento que exigem quórum qualificado para determinadas alterações. Em setembro, o Tribunal de Justiça manteve as regras em vigor no julgamento do pedido do Executivo.
A reviravolta ocorreu na última sexta-feira (25), quando o juiz Luís Aparecido Bortolussi Junior, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Cuiabá, concedeu liminar em mandado de segurança apresentado por Wilson Kero Kero e determinou que a proposta fosse analisada pela regra de maioria simples.
Mesmo com a redução do quórum para 14 votos, vereadores contrários à alteração passaram a articular uma reação. Ilde Taques (Podemos) havia reunido 15 parlamentares em um encontro na sexta-feira (25), em demonstração de apoio à sua candidatura à Presidência da Câmara.
A disputa também envolve o retorno antecipado de Jeferson Siqueira (PSD), que está licenciado do mandato. O suplente Antônio Lemes permanece na cadeira enquanto a licença de 120 dias não for encerrada.
Com a retirada do projeto, a eleição da nova Mesa Diretora permanece marcada para 6 de outubro. O cenário para a composição das chapas, porém, deverá ser redefinido após a decisão desta terça-feira.

