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Assassino de Zampieri revela detalhes da execução e diz que mataria desembargadores

Autor dos disparos que mataram o advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023, o pedreiro Antônio Gomes da Silva afirmou, durante depoimento, que chegou a passar por uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao deixar Mato Grosso e seguir para Belo Horizonte (MG) após o crime. Ele também declarou que mataria desembargadores envolvidos em supostos esquemas de venda de sentenças caso recebesse essa missão, mas negou a existência de um mandante para a execução do advogado.

Durante o depoimento, Antônio contou que estudou a região onde ficava o escritório de Zampieri e chegou a considerar cometer o assassinato dentro do próprio local de trabalho da vítima. No entanto, mudou de estratégia ao perceber que havia uma unidade da Polícia Militar a cerca de 300 metros do escritório.

O pedreiro relatou que, no dia do crime, procurou uma posição de onde pudesse observar o escritório sem ser percebido. Ele disse que pediu para permanecer em frente a uma clínica vizinha e chegou a ser alertado por uma funcionária de que o local seria perigoso.

Antônio também mencionou Marini, amigo de Zampieri que estava no local no momento do crime. Segundo o atirador, o sócio do advogado em fazendas teria deixado o local rapidamente, o que teria facilitado a execução. Após matar Zampieri, afirmou ter sentido que havia cumprido sua “missão”.

Caixa de Natal

O autor dos disparos contou que carregava uma caixa enquanto se aproximava do escritório, simulando que o objeto seria utilizado para transportar itens de Natal. Segundo ele, a ideia surgiu após ter presenciado, no passado, um assalto em que um criminoso teria escondido uma arma dentro de uma caixa.

Antônio negou, porém, que pretendesse utilizar o objeto para abafar o som dos disparos. Ele afirmou que manuseia armas há muitos anos e sabia que a caixa não seria capaz de cumprir essa função.

O pedreiro disse ainda que não estava preocupado com as cápsulas que seriam deixadas pela arma, pois seu objetivo era apenas executar Zampieri.

Fuga para Minas Gerais

Antônio relatou que ficou apreensivo com a possibilidade de não conseguir deixar Cuiabá após a repercussão imediata do assassinato. Segundo ele, foi rapidamente até a rodoviária da Capital, comprou uma passagem e embarcou para Belo Horizonte.

Durante a viagem, o ônibus teria sido abordado em uma blitz da PRF. O pedreiro contou que os agentes perguntaram o motivo de sua viagem a Mato Grosso e quanto tempo havia permanecido no Estado.

Segundo Antônio, a abordagem provocou apreensão, mas ele acabou liberado e conseguiu seguir viagem até Minas Gerais.

Suposta missão contra desembargadores

Durante o depoimento, Antônio afirmou que, caso tivesse recebido uma ordem para matar desembargadores supostamente envolvidos em esquemas de venda de decisões relacionados ao caso Zampieri, também teria cometido os crimes.

“Se tivessem me dado esta ordem, eu faria sem problema nenhum!”, declarou.

O pedreiro disse ainda que não recebeu pagamento para matar Zampieri. Segundo ele, teria solicitado apenas recursos para viajar até Cuiabá e executar o advogado. Antônio afirmou que não gastaria mais de R$ 30 mil, pois faria o trajeto de ônibus e ficaria hospedado em um hotel barato.

“É um dinheiro amaldiçoado”, afirmou.

Sem mandante

Antônio negou que tenha existido um mandante para o assassinato. Segundo ele, recebeu um áudio em visualização única enviado por uma pessoa que teria “sotaque italiano”. O pedreiro afirmou não conhecer o destinatário da mensagem e disse que essa pessoa não teria ligação com o crime.

Conforme o relato, no áudio, o homem dizia que “era preciso agir rápido, pois o irmão já tinha perdido uma fazenda e que iria perder a outra”.

Ao final do depoimento, entretanto, Antônio afirmou que encontrou Hedilerson Fialho Martins Barbosa e seguiu com ele até o escritório de Zampieri. Ele não detalhou como conseguiu a arma utilizada na execução.

O pedreiro também afirmou que teria sido alvo de tortura psicológica, envolvendo seus filhos, por parte do delegado Edison Pick para que apontasse outros envolvidos no crime.

Antônio contou ainda que tentou obter porte de arma, mas teria enfrentado dificuldades para ser aprovado nos testes psicotécnicos.

Acidente na juventude

Durante o depoimento, Antônio também relatou que sofreu um acidente quando era jovem e teve lesões na cabeça. Segundo ele, chegou a ser internado em uma clínica de Belo Horizonte destinada a pessoas com problemas neurológicos.

O pedreiro afirmou ainda que, politicamente, se inspirava no ex-deputado federal e candidato à Presidência da República Enéas Carneiro.

O caso

A sessão do novo julgamento relacionado à morte de Zampieri é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. O advogado Giovani Santin atua na acusação como assistente.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), as investigações identificaram uma organização criminosa supostamente estruturada e liderada pelo coronel do Exército Etevaldo Caçadini.

Ainda conforme a denúncia, Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria desempenhado papel fundamental no crime ao fornecer a arma utilizada na execução do advogado.

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