A aprovação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 acendeu um alerta entre representantes do comércio de Cuiabá. Em nota divulgada nesta quinta-feira (15), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) manifestou preocupação com o possível aumento dos custos operacionais e os impactos sobre a manutenção dos empregos, especialmente nos pequenos estabelecimentos.
Para a entidade, o principal desafio será absorver o aumento do custo por hora trabalhada sem comprometer o funcionamento das lojas. A CDL avalia que, sem medidas de compensação, a pressão financeira poderá levar ao repasse de custos para os preços pagos pelos consumidores.
“Para os lojistas, o principal desafio é absorver o aumento do custo por hora trabalhada sem prejudicar o funcionamento das lojas e a manutenção dos empregos, sobretudo entre os pequenos comerciantes, que contam com equipes enxutas e margens apertadas. Sem alternativas de compensação, a pressão por repasse aos preços pode chegar ao consumidor”, destacou a entidade.
Embora reconheça que a ampliação do descanso beneficia os trabalhadores, a CDL defende que a implementação das mudanças considere a realidade das empresas e dos consumidores. Entre as medidas propostas estão a redução dos encargos sobre a folha de pagamento, o incentivo à qualificação profissional, a segurança jurídica e o fortalecimento da negociação coletiva.
O presidente da entidade, Júnior Macagnam, resumiu a posição da CDL ao defender que os direitos dos trabalhadores sejam ampliados sem comprometer os postos de trabalho. “Valorização do trabalhador e preservação de empregos precisam caminhar juntos”, afirmou.
A PEC 221/2019 foi aprovada pelo Senado Federal na noite de quarta-feira (14), em dois turnos, por 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A proposta prevê a redução gradual da jornada máxima semanal, inicialmente para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas, além de dois dias de repouso remunerado sem redução salarial.
A implementação seguirá os prazos previstos no texto aprovado, com a primeira etapa começando 60 dias após a promulgação e a redução definitiva da jornada ocorrendo em fase posterior.

