A influenciadora digital Natiele Aparecida, de Sorriso, é um dos principais alvos da Operação Engodo Digital, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (18). Um dia antes de ser alvo da investigação, ela chegou a divulgar uma nova plataforma de apostas e também fazia publicidade do chamado “Jogo do Tigrinho” nas redes sociais. Segundo a investigação, Natiele estaria no centro de um esquema de divulgação de jogos de azar, captação ilegal de apostas e movimentação de dinheiro que ultrapassou R$ 28 milhões entre 2023 e 2025.
Com mais de 113 mil seguidores no Instagram, a influenciadora utilizava as redes sociais para divulgar plataformas de jogos de azar e direcionar seguidores para sites de apostas. Na segunda-feira (17), véspera da operação, ela publicou uma divulgação de uma nova plataforma, prometendo aos seguidores a possibilidade de “triplicar” os ganhos por meio dos jogos.
Natiele também já havia utilizado o perfil para promover o “Jogo do Tigrinho”, além de outras plataformas de apostas. Em 2024, ela chegou a ser capa da Revista Sexy.
De acordo com a investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, Natiele teria papel central na estrutura responsável por atrair apostadores para plataformas que não possuem autorização regulatória para funcionar.
A Polícia Civil aponta que ela utilizava duas contas nas redes sociais para promover os jogos. Além disso, mantinha, junto com outra investigada, um grupo no WhatsApp voltado ao compartilhamento de links e orientações para apostas de cotas fixas, consideradas ilegais.
Dinheiro circulava entre empresas e familiares
A investigação identificou movimentações superiores a R$ 28 milhões entre 2023 e 2025 que, segundo a Polícia Civil, não teriam sido declaradas. Para os investigadores, existem fortes indícios de que os valores sejam provenientes da exploração ilegal de jogos pela internet.
Conforme a apuração, o dinheiro entrava em contas de empresas relacionadas às plataformas de apostas e posteriormente era redistribuído para uma rede formada por familiares e colaboradores da influenciadora.
Entre as empresas citadas na investigação estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
Os investigadores também suspeitam que empresas tenham sido criadas ou utilizadas para ocultar a origem dos recursos. A apuração aponta ainda para possíveis simulações societárias envolvendo negócios do setor de beleza.
Bloqueio milionário
Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. As medidas também atingiram contas de redes sociais associadas à influenciadora.
Ao todo, a Operação Engodo Digital cumpre 56 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de contas bancárias e redes sociais e apreensão de passaportes.
As ações são realizadas em Sorriso e também em São Paulo e São Bernardo do Campo.
A investigação apura os crimes de exploração de jogo de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.

