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Alvo de operação, candidato a deputado declara R$ 9,4 milhões em bens à Justiça Eleitoral

Alvo da Operação Mandato Espúrio, deflagrada nesta terça-feira (25) pela Polícia Civil para investigar supostas irregularidades financeiras no Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT), o candidato a deputado estadual Hugo Garcia (PSDB) declarou R$ 9.498.340,34 em bens à Justiça Eleitoral.

Suplente de deputado estadual e ex-presidente do Imafir-MT, Hugo é candidato pela Federação PSDB/Cidadania. Ele é investigado pela suposta prática de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica.

O candidato foi alvo de mandado de busca e apreensão pessoal e domiciliar, assim como o ex-diretor executivo do instituto, Afrânio Migliari. Durante as diligências, foram apreendidos bens e documentos relacionados à investigação.

A declaração apresentada à Justiça Eleitoral reúne 40 itens, principalmente máquinas e equipamentos utilizados no setor agropecuário, além de imóvel, veículos e participações societárias.

Entre os bens de maior valor está um trator agrícola Case, avaliado em R$ 1,7 milhão. Hugo também declarou uma plantadeira Gran Prime, da Kuhn, de 31 linhas, no valor de R$ 1,26 milhão.

A lista inclui ainda dois conjuntos de Pivot Central, avaliados em R$ 831,9 mil, e um sistema de irrigação Pivot Central, declarado em R$ 685 mil.

O patrimônio também inclui um apartamento de 193 metros quadrados em Cuiabá, avaliado em R$ 613,4 mil, além de outros sistemas de irrigação, tratores, máquinas para plantio e colheita, pulverizadores e equipamentos agrícolas.

Entre os demais bens estão um trator Case Puma 200, de R$ 460 mil; um trator New Holland T8 385, de R$ 430 mil; uma plataforma colhedora de milho, de R$ 382,5 mil; e uma balança rodoviária eletrônica, avaliada em R$ 282 mil.

Hugo ainda declarou possuir 50% das cotas de uma empresa de empreendimentos imobiliários, avaliadas em R$ 40 mil, e 100% do capital social de uma empresa agropecuária, no valor de R$ 50 mil.

Investigação

Segundo a Polícia Civil, a investigação apura atos de gestão e movimentações financeiras realizadas durante um período de disputa pela representação legal do Imafir-MT.

A suspeita é de que Hugo tenha realizado movimentações financeiras mesmo após um acordo homologado e uma decisão judicial que o impediam de reassumir a presidência e praticar atos em nome da entidade.

As diligências conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá apontam que as transações consideradas irregulares ultrapassam R$ 1 milhão.

Uma das movimentações investigadas envolve quase R$ 774 mil, transferidos para uma conta pessoal e uma empresa pertencente ao então diretor executivo do instituto. Outra transferência, de R$ 270 mil, teria sido destinada a um escritório de advocacia.

Além das buscas realizadas nesta terça-feira, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados e a suspensão e desativação dos acessos utilizados para movimentar as contas do Imafir-MT.

O instituto é tratado como vítima no inquérito e, segundo a Polícia Civil, colabora com as investigações.

Até a publicação desta reportagem, Hugo Garcia não havia se manifestado sobre as acusações. O espaço segue aberto para manifestação da defesa.

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