Da CBN Rede
O Supremo Tribunal Federal tem 90 dias para retomar o julgamento que vai decidir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pelas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A sessão histórica para discutir o assunto foi interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino e a crise no STF deve se estender para depois das eleições.
Por enquanto, a audiência para analisar a conduta do ministro André Mendonça na condução do processo continua mantida para a próxima quarta-feira, dia 23.
Apesar da tentativa da ala de Moraes para juntar os casos, a maioria dos ministros decidiu que os processos serão analisados separadamente.
Nesta terça-feira (15), foram quase seis horas de embates e trocas de acusações, que evidenciaram ainda mais a guerra entre duas alas do STF.
A decisão histórica sobre a abertura ou não de investigação contra um membro da Corte ficou em segundo plano.
Rejeição de proposta de casos de Moraes e Mendonça juntos
Por 4 votos a 3, os ministros rejeitaram uma proposta de Gilmar Mendes para que fossem julgados juntos os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cristiano Zanin e Moraes votaram a favor do pedido de Gilmar Mendes.
Já o presidente da Corte, Edson Fachin, André Mendonça e os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia se posicionaram para seguir separadamente com os dois procedimentos.
O ministro Flávio Dino também se manifestou a favor da unificação dos casos, mas o voto dele não foi computado devido ao pedido de vista.
O STF começou a analisar o relatório da Policia Federal que traz 52 mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.
O mérito ainda não foi analisado, já que o colegiado está discutindo questões preliminares.
A sessão foi marcada por intensos bate-bocas entre as duas alas do STF.
Sentados lado a lado, Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram o confronto mais tenso da sessão plenária.
Moraes acusou o colega de pressionar policiais para forçar a inclusão do nome dele em delações premiadas e de atuar a serviço de articuladores da tentativa de golpe.
Na sequência, o decano Gilmar Mendes acusou André Mendonça de conduta político-eleitoral na relatoria do caso Master.
O ministro André Mendonça desqualificou o relatório de inteligência elaborado pela Polícia Federal contra a conduta dele.
O magistrado classificou o documento como apócrifo e produto de arapongagem de uma suposta “PF paralela”, o que gerou novo bate-boca com Alexandre de Moraes.

