Um trabalhador foi morto a tiros dentro de uma fazenda, na noite desta terça-feira (22), após uma discussão com um colega por causa do valor das diárias. O caso ocorreu nas proximidades de Nova Bandeirantes (1.028 km de Cuiabá), e a identidade da vítima ainda não foi oficialmente confirmada.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) informou que foram encontrados documentos pertencentes a duas pessoas entre os pertences do homem. Por isso, a identificação será confirmada após os exames periciais.
Segundo informações repassadas à Polícia Civil, o proprietário da fazenda havia contratado a vítima cerca de uma semana antes para trabalhar como diarista. Na noite do crime, o dono estava em Alta Floresta quando recebeu uma ligação do suspeito, por volta das 21h15.
O colega relatou que a vítima estava alcoolizada, reclamava do valor das diárias e queria receber o pagamento para deixar a propriedade.
O proprietário então providenciou uma carona para que o trabalhador deixasse a fazenda na manhã seguinte e comunicou a decisão aos dois homens. Além deles, uma terceira pessoa também trabalhava no local.
O dono orientou o suspeito a permanecer no quarto e deixar os demais trabalhadores do lado de fora da casa até que os ânimos se acalmassem.
Legítima defesa
Por volta das 21h49, o proprietário recebeu uma mensagem do suspeito afirmando que a vítima havia entrado no quarto com uma faca.
Conforme a versão apresentada pelo homem, ele efetuou os disparos para se defender e matou o colega no local.
A Polícia Civil e uma equipe da Politec de Alta Floresta foram até a propriedade durante a madrugada e chegaram por volta das 4h20. A casa estava aberta e com as luzes acesas.
A vítima foi encontrada caída no quarto, logo após a porta, com os pés voltados para o interior do cômodo e a cabeça em direção à entrada. O corpo apresentava perfurações semelhantes às provocadas por disparos de arma de fogo.
Uma faca de cozinha foi encontrada na mão esquerda da vítima e apreendida pela perícia. Também foram recolhidos dois projéteis de chumbo e uma cápsula deflagrada.
Testemunha relata discussão
Durante os trabalhos, uma testemunha que estava na propriedade no momento do crime procurou os policiais. Segundo o relato, os trabalhadores preparavam a carne de um porco abatido naquele dia e o suspeito estava ingerindo cachaça.
Em determinado momento, a vítima teria iniciado uma discussão com o colega por causa do valor das diárias.
A testemunha afirmou que viu o suspeito entrar no quarto e, algum tempo depois, a vítima também entrar na residência. Como estava do lado de fora, porém, não conseguiu observar o que aconteceu dentro do cômodo.
Após a perícia, o corpo foi encaminhado para Alta Floresta, onde passará por exames de necropsia e identificação.
A Polícia Civil apreendeu a faca, os projéteis e a cápsula encontrados no local. A testemunha foi levada à delegacia para prestar depoimento.
O caso é investigado como homicídio doloso. As circunstâncias dos disparos e a versão apresentada pelo suspeito serão apuradas durante a investigação.

