Destaques

Júri de Paccola por morte de agente socioeducativo é mantido para novembro

Júri de Paccola por morte de agente socioeducativo é mantido para novembro

O julgamento do tenente-coronel da Polícia Militar Marcos Eduardo Ticianel Paccola, réu pela morte do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”, foi mantido para 17 de novembro de 2026, às 9h. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (21) pela juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, do Núcleo de Atuação Estratégica (NAE), que destacou a necessidade de dar andamento ao processo, cuja sessão já foi adiada diversas vezes.

A manutenção da data ocorre mesmo com a pendência de análise de um pedido de suspeição contra a juíza Mônica Perri, responsável pela presidência do processo. Cristhiane determinou que o incidente seja encaminhado à magistrada para que ela própria avalie o pedido.

Na decisão, a juíza ressaltou que o processo foi incluído no Programa Mais Júri, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso. A iniciativa busca acelerar julgamentos e reduzir o acúmulo de processos.

O caso ocorreu em 1º de julho de 2022, mas a pronúncia de Paccola só se tornou definitiva em 14 de abril de 2026, após o esgotamento das vias recursais ordinária e extraordinária.

Desde então, o julgamento foi marcado e remarcado para 27 de agosto, 22 de outubro e, por último, 17 de novembro deste ano.

“Esse cenário evidencia a necessidade de concentração de esforços institucionais para que a causa seja levada a julgamento pelo juiz natural constitucionalmente competente”, destacou Cristhiane.

A defesa de Paccola alegou suspeição de Mônica Perri em razão de um conflito disciplinar anterior. O advogado Cláudio Dalledone atuou na defesa do investigador Mário Wilson Gonçalves em um júri presidido pela magistrada, em dezembro de 2025. Após divergências durante a sessão, ele apresentou pedido para afastá-la da condução do julgamento.

O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e está sob análise. No julgamento de Mário, a própria Mônica Perri declarou-se suspeita, e a sessão acabou sendo conduzida pelo juiz Marcos Faleiros.

Ao determinar o encaminhamento do incidente, Cristhiane ressaltou que a análise da suspeição é de natureza personalíssima, especialmente quando o motivo alegado está relacionado ao foro íntimo do julgador.

“Trata-se de juízo de natureza personalíssima, sobretudo quando a causa invocada guarda relação com o foro íntimo do julgador (…). Mantenho a sessão de julgamento designada para 17 de novembro de 2026, às 9h”, decidiu.

O crime

Alexandre Miyagawa foi morto com três tiros disparados por Paccola em 1º de julho de 2022, diante de dezenas de testemunhas, em Cuiabá.

Segundo o Ministério Público, o então vereador agiu por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima, que foi atingida pelas costas e não representava perigo a ninguém.

Paccola apresentou o episódio como um “ato de heroísmo”, alegando que teria agido para combater um suposto agressor de mulher.

O caso resultou na cassação do mandato de vereador de Paccola por quebra de decoro parlamentar.

AO VIVO
Verde FM
Clique para ouvir