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Justiça autoriza Carlinhos Bezerra a participar de júri sem algemas e uniforme prisional

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizou que o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra participe do novo julgamento pelo Tribunal do Júri, marcado para sexta-feira (31), sem o uso de algemas e uniforme prisional. A magistrada ressaltou, no entanto, que a medida poderá ser revista caso a equipe responsável pela escolta entenda que há necessidade de contenção.

Réu confesso pelos assassinatos da ex-companheira, Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30, Carlos Alberto também foi autorizado a utilizar, por meio da defesa, equipamentos para exibição de mídias e peças processuais já anexadas aos autos, além de ter acesso à internet durante a sustentação oral.

Na decisão, a juíza advertiu que qualquer documento, vídeo ou outro material somente poderá ser apresentado aos jurados se tiver sido previamente juntado ao processo.

“Advirto que a exibição de qualquer documento, mídia ou peça em plenário está condicionada à sua prévia e regular juntada aos autos, nos termos do art. 479 do Código de Processo Penal, vedada a exibição de prova surpresa não comunicada tempestivamente à parte contrária”, escreveu.

Os pedidos foram apresentados pela defesa na terça-feira (28), juntamente com documentos que detalham o estado de saúde do empresário.

Tratamento médico

No mesmo despacho, Mônica Perri determinou que a unidade prisional mantenha o acompanhamento médico de Carlos Alberto e comunique imediatamente à Justiça caso haja qualquer impedimento para a continuidade do tratamento.

Conforme a defesa, o empresário foi diagnosticado com diabetes tipo 2, hipertensão arterial, depressão, ansiedade generalizada, hérnia de disco, varizes nos membros inferiores e perda progressiva da visão.

A magistrada destacou que relatórios do Núcleo de Saúde Prisional apontam que o réu recebe atendimento periódico, com renovação de medicamentos e encaminhamentos para especialidades como endocrinologia, psiquiatria, oftalmologia e ortopedia.

A decisão também registra que Carlos Alberto recusou, anteriormente, o uso de insulina prescrita e uma saída para consulta ortopédica e exame de imagem. Também constam cirurgias autorizadas, como catarata e retirada de varizes, que ainda não foram realizadas.

Novo julgamento

O novo júri foi marcado após a sessão realizada no último dia 21 ser interrompida em razão do abandono do plenário pelos advogados de defesa. Na ocasião, a juíza classificou a conduta como “inconcebível” e determinou que, caso os atuais defensores não compareçam novamente, a Defensoria Pública assumirá a defesa do empresário.

O crime ocorreu em janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. Segundo as investigações, Thays Machado e Willian César Moreno aguardavam um carro de aplicativo quando foram surpreendidos por Carlos Alberto, que chegou dirigindo um Renault Kwid e efetuou diversos disparos.

De acordo com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros, enquanto Willian foi baleado no braço e no peito. À época, Thays era servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e Willian era empresário em São Paulo.

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