O senador Carlos Fávaro (PSD-MT) cobrou explicações públicas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após informações atribuídas à investigação da Polícia Federal serem divulgadas nesta terça-feira (1º). Para o parlamentar, diante da gravidade dos fatos, Moraes deve prestar esclarecimentos à sociedade e, caso não o faça, deveria renunciar ao cargo.
“Diante dos fatos revelados pela Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes tem a obrigação de vir a público e explicar, com clareza, tudo o que aconteceu. Ele tem direito à defesa, mas a sociedade também tem direito à verdade”, afirmou Fávaro.
Segundo o senador, a ausência de uma manifestação pública diante das informações divulgadas exigiria uma resposta compatível com a responsabilidade institucional de um ministro da Suprema Corte.
Fávaro também defendeu que, caso não haja explicações consideradas suficientes nem renúncia, o Senado Federal deve cumprir seu papel constitucional e avaliar a abertura de um processo de impeachment.
“Se não houver explicação e também não houver renúncia, o Senado Federal precisa estar pronto para cumprir o seu papel e abrir imediatamente o processo de impeachment. Ninguém pode estar acima das instituições, e a sociedade brasileira merece transparência, responsabilidade e respeito”, concluiu.
Medeiros pede prisão de Moraes
Também nesta terça-feira, o deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso José Medeiros (PL) pediu ao ministro André Mendonça, do STF, que determine a prisão de Alexandre de Moraes.
Medeiros comparou a situação à prisão do então senador Delcídio do Amaral, determinada pelo STF em 2015. Na ocasião, Delcídio foi preso sob acusação de tentar planejar a fuga do Brasil de Nestor Cerveró, que negociava um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.
Para Medeiros, uma conversa atribuída a Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre uma possível fuga do país antes da prisão do empresário justificaria tratamento semelhante.
“Nós acabamos de saber que o ministro Alexandre de Moraes tinha uma conversa similar com o Vorcaro. Então eu venho aqui, encarecidamente, pedir ao ministro André Mendonça: o senhor precisa prender Alexandre de Moraes. Pau que bate em Chico tem que bater em Alexandre também”, afirmou.
Buzetti cobra candidatos
A ex-senadora e candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP) também se manifestou sobre as informações divulgadas e cobrou posicionamento dos demais candidatos ao Senado por Mato Grosso em defesa do impeachment de Moraes.
Buzetti lembrou que assinou, em agosto de 2025, um pedido de impeachment contra o ministro e afirmou que pretende saber qual será a posição dos adversários diante das novas revelações.
“Paciência tem limite. Ninguém está acima da lei, nem mesmo um ministro do Supremo Tribunal Federal”, declarou.
“Eu já deixei clara a minha posição e assinei o pedido de impeachment quando muita gente preferiu ficar em silêncio. Agora quero saber: e os outros candidatos ao Senado de Mato Grosso? Vão se posicionar ou vão continuar em silêncio? Quem quer uma cadeira no Senado precisa ter coragem para dizer ao eleitor o que pensa sobre um assunto dessa gravidade”, acrescentou.
Mensagens citadas pela investigação
Entre as informações atribuídas à investigação estão mensagens que apontariam uma conversa sobre um possível plano de fuga de Vorcaro antes de sua prisão, além de tratativas envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Segundo as informações divulgadas, Moraes também teria participado da versão final de um contrato entre o banco e o escritório, estimado em R$ 129 milhões.
As mensagens ainda apontariam que Moraes teria solicitado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, maior proteção a Vorcaro após a prisão.
As circunstâncias e o conteúdo das mensagens citadas são alvo de investigação.

