A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva de Thyago Jorge Machado, preso na segunda-feira (31), em Cuiabá, sob suspeita de colocar aproximadamente 1 quilo de cocaína no carro da ex-companheira para incriminá-la. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na tarde de terça-feira (1º), pela 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital.
Conforme a decisão, o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires relaxou a prisão em flagrante em relação aos crimes de tráfico de drogas e ameaça. Segundo o magistrado, apesar de existirem elementos que apontem para a materialidade do tráfico e indícios de autoria, os fatos teriam ocorrido antes da prisão e não se enquadrariam nas hipóteses de flagrante previstas no Código de Processo Penal.
A prisão, no entanto, foi mantida em relação à suspeita de denunciação caluniosa praticada em contexto de perseguição.
Durante a audiência, a defesa de Thyago pediu a concessão de liberdade provisória, com aplicação de medidas cautelares. O Ministério Público, por outro lado, defendeu a homologação do flagrante e a conversão da prisão em preventiva.
O juiz decidiu manter a prisão preventiva com fundamento na garantia da ordem pública, no risco de reiteração das condutas e na necessidade de assegurar a aplicação da lei penal.
O magistrado também determinou que a Polícia Civil conclua e encaminhe o inquérito com urgência. Relatos de possível violência policial durante a prisão deverão ser apurados pela Corregedoria da Polícia Civil.
A decisão determinou ainda que sejam adotadas medidas para preservar a integridade física e psicológica de Thyago dentro do sistema prisional, considerando sua atuação anterior na área de computação forense.
O processo deverá ser redistribuído para o juízo competente da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em razão da relação do caso com medidas protetivas já existentes em favor da ex-companheira.
Suspeito teria armado operação contra ex
Conforme a investigação citada na decisão, Thyago teria provocado uma operação policial contra a própria ex-companheira ao manipular o veículo dela e colocar drogas em seu interior.
A Polícia Civil passou a investigar o caso após receber uma denúncia sobre possível tráfico de drogas. Durante as diligências, os investigadores identificaram elementos que, segundo o processo, apontaram para uma possível armação contra a mulher.
O juiz considerou que a situação de flagrante estaria configurada em relação à denunciação caluniosa. A decisão cita informações obtidas pela inteligência policial e o próprio interrogatório de Thyago, que teria admitido ter dado causa à apuração envolvendo o veículo, embora negasse ter agido com intenção ilícita.
A tentativa de fuga durante a abordagem policial também foi considerada pelo magistrado como um dos elementos que reforçariam a necessidade da prisão cautelar.
Segundo a decisão, o conjunto de comportamentos investigados indicaria uma atuação planejada e progressiva, com risco de reiteração das condutas e necessidade de preservar a integridade física e psicológica da vítima.
Irmão de Thays Machado
A prisão de Thyago também ganhou repercussão pelo vínculo familiar com um caso de violência contra a mulher que marcou Mato Grosso.
Ele é irmão da advogada e servidora Thays Machado, assassinada a tiros em Cuiabá, em janeiro de 2023, pelo então ex-companheiro Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra. Na ocasião, Thays estava acompanhada do namorado, Willian César Moreno, que também foi morto.
O crime ocorreu em frente ao prédio onde a mãe de Thays morava, no bairro Consil. Carlinhos foi preso após o duplo homicídio e posteriormente condenado pelo Tribunal do Júri a 36 anos de prisão pelos assassinatos.
Na época, Thyago prestou depoimento à Polícia Civil sobre o caso e relatou que a irmã vinha sofrendo perseguições e ameaças do ex-companheiro antes do assassinato. Ele também concedeu entrevistas pedindo Justiça pela morte da irmã.
Ex-perito da Politec
Thyago já atuou como perito oficial criminal da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Conforme informações divulgadas sobre o caso, ele foi demitido após responder a um processo administrativo disciplinar relacionado à atuação funcional.
Em 2025, o nome dele também apareceu em uma investigação da Polícia Civil que apurou possíveis irregularidades relacionadas a laudos periciais.

