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“Não acredito muito nessa história”, diz Júlio Campos sobre operação do Gaeco

“Não acredito muito nessa história”, diz Júlio Campos sobre operação do Gaeco

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) afirmou ter recebido com surpresa a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar suspeitas de corrupção e compra de votos na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O parlamentar questionou os fundamentos da investigação, disse duvidar das acusações e levantou suspeitas sobre a condução das diligências, mas defendeu aguardar a conclusão das apurações.

“Para mim foi uma surpresa. Não sei qual o fundamento do Gaeco com relação a essas denúncias que tiveram, que parece que é compra de votos. Eu não acredito muito nessa história”, declarou.

Júlio argumentou que a disputa pela presidência da Câmara foi acirrada e decidida por apenas um voto. Na avaliação dele, as suspeitas precisam ser esclarecidas antes de qualquer conclusão sobre possíveis irregularidades.

“Eu não acredito também que tenha algum fundamento, mas vamos aguardar. A polícia está investigando e só cabe a nós ver o que vai ocorrer daqui para frente”, afirmou.

O deputado também questionou o uso de um drone para monitorar uma reunião em uma chácara e levantou dúvidas sobre a existência de autorização judicial para a diligência. Ele ainda criticou a abordagem policial envolvendo vereadores que estavam no local.

“É meio estranho, porque mandar drone fiscalizar a chácara dos outros, talvez sem ordem, tinha ordem judicial para isso? Como que a polícia vai fiscalizar com drone uma reunião, um congraçamento?”, questionou.

Júlio também comentou a abordagem de vereadores que transportavam dinheiro em espécie. Segundo ele, as informações que recebeu indicavam que a quantia encontrada com um dos parlamentares seria destinada ao pagamento de serviços, embora não tenha detalhado a origem dessa informação.

Deputado questiona possível perseguição

Ao ser questionado sobre a possibilidade de perseguição política, Júlio afirmou considerar a situação estranha e comparou a operação a denúncias anteriores envolvendo a administração da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), que, segundo ele, não tiveram o mesmo desdobramento.

“Há várias denúncias que já fizeram com relação à administração municipal, da gestão da prefeita Flávia Moretti, e nunca houve nenhum prosseguimento. Essa da Câmara Municipal também, não sei se tem fundamento ou não, mas é meio estranho”, disse.

A Operação Cathedra Venalis investiga suspeitas de corrupção, compra de votos e possível atuação de organização criminosa durante a disputa pela Mesa Diretora do Legislativo municipal. O presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), está entre os alvos e também criticou a atuação policial, alegando motivação política.

O caso repercutiu ainda no plenário da Câmara, onde Wanderley discutiu com o vereador Bruno Rios (PL) durante uma sessão. Na ocasião, o presidente disse ao colega: “Você vai pagar, meu filho”. Rios afirmou que pretende adotar medidas judiciais contra Wanderley.

A disputa pela Mesa Diretora também está no centro de uma controvérsia judicial após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular a eleição e determinar a realização de um novo pleito.

Ao comentar o caso, Júlio disse preferir não se aprofundar no assunto por estar próximo do encerramento de seu mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Apesar das críticas à operação, afirmou esperar que a investigação seja concluída sem prejuízos aos envolvidos.

“Lamento profundamente e espero que resolva a contento, sem nenhum problema, não só com os vereadores de Várzea Grande, mas também com os dois vereadores da capital”, concluiu.

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