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Gaeco investiga plano para cassar Flávia Moretti e levar Wanderley à Prefeitura

Gaeco investiga plano para cassar Flávia Moretti e levar Wanderley à Prefeitura

Uma suposta articulação para cassar o mandato da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), e abrir caminho para que o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), assumisse o comando da Prefeitura está entre as linhas de investigação da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (20).

A investigação apura suspeitas de corrupção, compra de votos e formação de organização criminosa envolvendo vereadores do município. Conforme o inquérito, a denúncia que deu origem ao procedimento apontava que um grupo de parlamentares estaria articulando a reeleição de Wanderley à presidência da Câmara e, paralelamente, formando uma maioria política para tentar afastar Flávia do cargo.

A eventual cassação da prefeita, combinada à renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), poderia abrir caminho para que Wanderley assumisse o Executivo municipal, na condição de presidente do Legislativo. Os documentos, porém, não demonstram que um processo de cassação tenha sido formalmente apresentado ou que houvesse votos suficientes para aprová-lo.

Articulação teria começado antes da posse

Um relatório de inteligência do Gaeco aponta que a suposta articulação teria começado na transição entre 2024 e 2025, antes do início da atual gestão municipal.

Conforme o depoimento de uma testemunha cuja identidade foi preservada, vereadores teriam se reunido na chácara do parlamentar Miguel Júnior, no Distrito da Guia, em Cuiabá, para definir apoio à eleição de Wanderley para a presidência da Câmara.

Segundo o relato, o encontro teria contado com apoio financeiro do empresário Rômulo Botelho e de William Cerqueira, filho do presidente do Legislativo.

Além de garantir o controle da Mesa Diretora, a reunião teria servido para organizar um grupo de oposição à prefeita recém-eleita, com o objetivo de afastá-la do cargo. Nesse cenário, a eventual renúncia de Tião da Zaeli deixaria Wanderley em posição de assumir a Prefeitura caso Flávia perdesse o mandato.

Reunião antes da eleição da Mesa Diretora

A investigação também menciona um encontro realizado em 13 de maio de 2026, na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028.

Segundo a denúncia recebida pelo Gaeco, mais de dez vereadores teriam se reunido na chácara de Miguel Júnior, sob a liderança de Wanderley, para assegurar a recondução do presidente ao comando do Legislativo.

A reunião também teria como objetivo consolidar uma maioria parlamentar capaz de iniciar um processo de cassação da prefeita. A denúncia mencionava ainda a presença de homens armados e a suposta utilização de dinheiro em espécie para compra de votos.

Diligências do Gaeco identificaram movimentação na propriedade, além da presença de parlamentares e veículos vinculados a vereadores.

Em decisão de 7 de outubro, a Justiça registrou que um dos objetivos atribuídos ao grupo investigado seria formar uma maioria parlamentar para pressionar a chefe do Executivo, viabilizar a abertura de um processo de cassação e ampliar a influência sobre setores da administração municipal.

Concessão do DAE estaria entre os interesses

As investigações também apontam uma possível relação entre a articulação política e interesses econômicos envolvendo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e concessões públicas municipais.

Em depoimento, Caio Cordeiro afirmou que Wanderley demonstrava interesse na concessão ou privatização do DAE e teria mencionado a possibilidade de distribuir cerca de R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada.

Para o Gaeco, os relatos indicam uma possível conexão entre a manutenção do controle político da Câmara, a tentativa de ampliar a influência sobre o Executivo e a obtenção de vantagens econômicas.

As suspeitas integram um procedimento investigatório criminal instaurado pelo Ministério Público, que fundamentou pedidos de busca e apreensão e de acesso a dados eletrônicos dos investigados.

Até o momento, os documentos citados não comprovam a execução de um plano para cassar Flávia Moretti. As informações sobre a suposta articulação se baseiam principalmente em denúncia anônima e depoimentos reunidos durante a investigação.

Operação cumpriu 30 mandados

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

Entre os alvos estão Wanderley Cerqueira e os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

Também foram alvos a diretora financeira da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).

Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também são investigados.

A apuração busca esclarecer se houve negociação de votos e oferta de vantagens indevidas para influenciar a eleição da Mesa Diretora e ampliar o controle político sobre a administração municipal.

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