Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República pela quarta vez após uma virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL). Mesmo atrás do adversário no primeiro turno, o petista reverteu o resultado e superou o favoritismo do candidato do PL na disputa mais acirrada desde a redemocratização.
Com 97,69% das urnas apuradas, Lula obteve 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.
Aos 80 anos, Lula se torna o político mais velho a assumir a Presidência da República e o que mais vezes disputou e venceu eleições para o Palácio do Planalto. Ao longo da trajetória, foram oito candidaturas presidenciais e quatro vitórias.
A primeira eleição ocorreu em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB) no segundo turno. Em 2006, conquistou a reeleição ao vencer Geraldo Alckmin (PSDB), que anos depois se tornaria seu vice na chapa de 2022, responsável por derrotar o então presidente Jair Bolsonaro (PL). A dobradinha se repetiu neste ano, com a vitória sobre Flávio Bolsonaro.
Ao longo dos dois primeiros mandatos, Lula ganhou projeção internacional pelas políticas de combate à fome. O programa Fome Zero deu lugar ao Bolsa Família, que se tornou uma das principais marcas sociais de seus governos.
Outras iniciativas de destaque foram o Minha Casa, Minha Vida, a política de valorização do salário mínimo e os investimentos em educação, com a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), voltado à concessão de bolsas de estudo, além da expansão da rede de universidades federais.
No cenário internacional, Lula fortaleceu o Mercosul e ampliou a participação do Brasil no grupo dos Brics, formado por países emergentes. Na área ambiental, seus governos também foram marcados pela redução dos índices de desmatamento.
Apesar dos avanços sociais, o primeiro mandato foi marcado pelo escândalo do mensalão, revelado em 2005. O esquema de compra de apoio político no Congresso resultou na condenação de 24 pessoas, entre elas o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. Na época, Lula afirmou que se sentia traído.
O próprio presidente também foi alvo de investigações relacionadas ao escândalo do petrolão, envolvendo contratos da Petrobras e empreiteiras. Lula foi acusado de receber um tríplex no Guarujá (SP) como vantagem indevida. Em abril de 2018, foi preso e permaneceu por 580 dias em uma cela da Polícia Federal, em Curitiba.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações contra Lula. A decisão considerou que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos, que deveriam tramitar em Brasília. A medida devolveu ao petista os direitos políticos e abriu caminho para a candidatura de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro.
Poucos dias após a posse, em janeiro de 2023, o terceiro mandato foi marcado pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro, em uma tentativa de golpe de Estado.
Ao longo do governo, Lula enfrentou dificuldades na articulação política e precisou ceder espaço ao Centrão para garantir apoio no Congresso Nacional. Apesar de aprovar propostas importantes, o Executivo não conseguiu reduzir a influência das emendas parlamentares, que movimentam bilhões de reais do Orçamento.
Na economia, a equipe do governo conseguiu aprovar uma reforma tributária após décadas de discussão. A gestão, porém, foi marcada por dificuldades no equilíbrio fiscal, com resultados negativos nas contas públicas e aumento da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).
Na reta final da campanha, Lula adotou medidas para ampliar benefícios sociais e reduzir a arrecadação. Entre elas, a revogação da chamada taxa das blusinhas e mudanças na regulamentação das apostas esportivas, as bets, que haviam sido legalizadas durante o próprio governo.
Às vésperas da eleição, o presidente também ampliou o valor do Bolsa Família, após quatro anos sem reajustes, atuou pela aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso, anunciou medidas de renegociação de dívidas para microempreendedores e prometeu pagamentos via Pix aos microempreendedores individuais (MEIs). Também anunciou a expansão do programa Pé-de-Meia para universitários.
O pacote de medidas eleitorais, a retomada da militância nas ruas e o engajamento digital contribuíram para a vitória do petista. Lula conseguiu reverter o favoritismo de Flávio Bolsonaro, que havia terminado o primeiro turno à frente na disputa.
No quarto mandato, o presidente terá pela frente um país dividido e um Congresso Nacional dominado por forças de oposição, cenário que deve impor novos desafios à articulação política e à aprovação de propostas do governo.


