A manhã desta quinta-feira (30) foi marcada por um forte abalo nos bastidores políticos de Mato Grosso. A Operação Emenda Oculta, deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) do Ministério Público Estadual (MPE), colocou sob os holofotes o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e seu irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União).
O esquema: Como funcionava Segundo o Ministério Público, o grupo operava uma espécie de “rachadinha” com recursos públicos. O esquema consistia no direcionamento de emendas parlamentares para os institutos ISMAT (Social Mato-Grossense) e Ibrace (Brasil Central).
Essas entidades repassavam os valores para a empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que ficava responsável pela execução de projetos. A suspeita é de que a empresa, após receber os repasses, devolvia parte do montante em espécie para os próprios parlamentares que indicaram as verbas.
Apreensão de dinheiro vivo O que mais chamou a atenção durante as buscas e apreensões foi o alto valor em espécie localizado nas residências dos irmãos. No total, os agentes recolheram R$ 200 mil em notas de real:
R$ 150 mil foram encontrados na casa do deputado Elizeu Nascimento.
R$ 50 mil foram apreendidos na casa do vereador Cezinha Nascimento.
A investigação não começou do zero. Ela é um braço da Operação Gorjeta, que em janeiro de 2026 resultou no afastamento do então vereador Chico 2000 (PL). Naquela fase, descobriu-se que emendas que somavam R$ 3,65 milhões estavam sendo desviadas com o auxílio do mesmo Instituto Ibrace. A auditoria determinada pela Justiça acabou revelando repasses suspeitos também nas contas de Elizeu e Cezinha.
A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), apressou-se em declarar que a instituição não é o alvo, mas sim os “CPFs” dos envolvidos. Ela defendeu o mecanismo das emendas como necessário para a comunidade, mas admitiu que o Executivo Municipal falhou na fiscalização dos institutos.
Já a defesa do deputado Elizeu Nascimento afirmou que ele colaborou com as buscas e que aguarda acesso aos autos, que estão sob sigilo, para se manifestar. Cezinha Nascimento ainda não apresentou posicionamento oficial.
