Para trabalhadores que chegaram ao Brasil vindos de outros países, aprender português pode ser também uma forma de conquistar mais autonomia e se integrar à rotina profissional. Em Cuiabá, haitianos e venezuelanos participam atualmente do Escola Nota 10, programa da MRV que leva aulas para dentro dos canteiros de obras e oferece aos colaboradores a oportunidade de retomar os estudos sem precisar sair do ambiente de trabalho.
A unidade mais recente funciona desde junho deste ano no canteiro do empreendimento Chapada do Atalaia e conta atualmente com sete alunos, sendo quatro haitianos e dois venezuelanos.
Para o gestor de Obras da MRV, Marciano Silva, a iniciativa contribui para ampliar as oportunidades de desenvolvimento dos trabalhadores. “O Escola Nota 10 contribui diretamente para o desenvolvimento dos nossos colaboradores, porque oferece a oportunidade de estudar dentro do próprio ambiente de trabalho e, com isso, amplia conhecimentos, melhora a comunicação e conquista mais autonomia”, afirma.
As aulas acontecem às terças e quintas-feiras, das 14h45 às 17h, no final do expediente, em uma sala instalada em um contêiner na área do refeitório. Um dos principais desafios da turma é justamente a diferença de idiomas. Para facilitar a comunicação com os alunos haitianos, o professor Alessandro passou a aprender expressões em francês e crioulo haitiano, além de utilizar comandos básicos e recursos de tradução durante as aulas de português.
O programa, realizado em parceria com o Instituto Alicerce, também conta com uma ferramenta de avaliação que identifica as principais lacunas de aprendizagem de cada estudante. Com base nos resultados, o professor direciona as aulas para as competências que precisam ser fortalecidas. Além de português e matemática, são trabalhadas habilidades socioemocionais e conteúdos relacionados à qualificação profissional e ao cotidiano da construção civil.
Segundo a MRV, os efeitos são percebidos tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Os participantes relatam maior autonomia, segurança para se expressar e integração com os colegas.
“O Escola Nota 10 permite que o trabalhador tenha acesso à formação educacional dentro da própria rotina profissional, com aulas estruturadas e adaptadas à realidade do canteiro. É uma forma de ampliar as possibilidades de desenvolvimento sem exigir que ele escolha entre o trabalho e os estudos”, destaca Marciano.
Para os trabalhadores estrangeiros, o aprendizado do português ganha ainda mais importância. A melhoria na comunicação ajuda a reduzir barreiras no ambiente profissional e facilita a interação com colegas e gestores, além de ampliar a autonomia em situações do cotidiano.
Mantido pela MRV desde 2011, o Escola Nota 10 foi criado para combater o analfabetismo entre profissionais da construção civil. Em todo o país, mais de 7 mil trabalhadores já foram beneficiados pela iniciativa. A iniciativa também busca estimular a continuidade dos estudos. Entre 2023 e 2025, 239 colaboradores participantes do Escola Nota 10 foram inscritos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Em 2026, foram mais 208 inscritos.

